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sábado, 18 de outubro de 2008

Inovações Literárias I - Começando do começo

Confissões de um quase morto-vivo - uma não-ficção paradidática

Saudações! Primeiro gostaria de lhe agradecer pelo imenso privilégio que é ter a SUA atenção exclusiva nessa curiosa empreitada literária. Qualquer escritor há de confirmar como é difícil ser lido por outras pessoas, especialmente pelos analfabetos. Então podemos aproveitar o momento para nos comprazer-nos da oportunidade aproveitada para ter acesso a uma educação minimamente razoável e chegar hoje a um momento bastante peculiar em que podemos iniciar essa comunicação por palavras.

Cuidando ainda de alguns finalmentes, anuncio dois postulados básicos que orientam o modus operandi deste autor zumbi: (1) A verdade não tem dono, (2) É conversando que a gente se entende. Na verdade para ser conceitualmente mais preciso, seria interessante partir de (1) e chegar em (2) dando pequenos passos rigorosos e bem definidos, como numa demonstração matemática. Sim, de fato, há outras maneiras mais herméticas de chegar nas mesmas conclusões, mas confiem em mim, pois um sujeito vivo e morto ao mesmo tempo de repente pode ter razões sólidas para argumentar desta maneira em vez de outra. Mas o interessante é que ao considerarmos (1) e (2) torna-se interessante abrir o espaço para interpretações divergentes da realidade e poucas coisas podem ser tão agradáveis quanto o debate. Sendo assim, disponibilizo o endereço do meu sítio virtual . Nos comentários aos posts teremos um fórum adequado para dialogar (se bem que sou suspeito para falar, pois quem manda lá sou eu! hehe)

Feitos os agradecimentos e o marketing pessoal é chegado o momento de dizer exatamente quem sou, o que fiz e tentar satisfazer a clientela da melhor maneira possível...

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Tacada #1 - Identidade

Me chamo Flávio. Pois bem, na verdade como a maioria das pessoas eu tenho um documento de identificação com um monte de outras informações, mas o que importa mesmo é que a maioria das pessoas me conhece como "flávio", puro e simples.

Sou o protagonista e autor destas confissões e sendo assim será necessário explicar meu status de morto-vivo. Notem que essa definição no início pode não fazer lá muito sentido, por isso é bom ter paciência e acreditar no narrador ou então desistir e buscar algo melhor para fazer (pelo que vejo nas livrarias cariocas do início do século XXI, a auto-ajuda continua dominando os mais vendidos). Aqueles com maior quilometragem literária devem naturalmente ter um pouco de ceticismo e podem até fazer a comparação com os meus antepassados, a dupla Brás-Machado. Antes de mais nada, é fácil chegar a um consenso e afirmar categoricamente que a analogia é banal, pois requer uma meia dúzia de bits e um processador vagabundo. Ou seja, um calouro de programação deve ser capaz de, em poucas horas, escrever um código que vasculhe um site como o da amazon.com para separar todos os cem títulos que apresentam a mesma temática central (ouvi dizer outro dia que o Brás fora inspirado num certo Tristram Shandy e achei a acusação de plágio atribuída ao bruxo do Cosme Velho absurdamente pueril). Mas deixemos os apartes de lado.

Há uma vasta gama de trabalhos que têm como foco vida e morte. E isso tem uma explicação bastante simples. Nós vivemos, um dia morreremos e temos quase que uma compulsão por partilhar histórias. E só. Se no ano do centenário da morte de Machado de Assis aproveitamos essa oportunidade para relê-lo e descobrimos que anos antes um certo Laurence Sterne inventara um narrador galhofeiro e descompromissado (pois morto se encontra) não vejo motivo para pânico. O lugarzinho dele entre os grandes seres humanos brasileiros está garantido e eu aposto que meus bisnetos acompanharão as festividades do segundo centenário de sua morte em 2108, confirmando mais uma vez o que as suspeitas do próprio escritor das Memórias Póstumas: "É só escrever uns livrinhos aí, assinar tudo, depois fundar uma ABL (que nem a de Paris) e pronto! mais dia menos dia viro imortal... Bela idéia, Machado... Bela idéia, meu caro..."

Como diz o subtítulo, esta obra é uma "não-ficção", portanto não pretendo perder tempo fazendo ilações a respeito dos pensamentos íntimos de autores mestiços e subdesenvolvidos de 1800 e tal. Prefiro focar na minha verdade particular enquanto sujeito mestiço e subdesenvolvido do novo milênio... Então voltemos à discussão inicial do que vem a ser um "morto-vivo".

Definição 1
vivo - característica peculiar àquilo que possui capacidades cognitivas e que segue uma trajetória com um ponto inicial (nascimento) e um terminal (morte).

Definição 2
morto - o não-vivo.

Parece meio óbvio, mas é bom que seja assim, pois com definições concisas e claras a gente ainda pode ir muito longe. A maioria dos leitores que não teve acesso a uma formação menos humana e mais exata provavelmente não faz a menor idéia do que é uma derivada, então prefiro dar uma intuição básica e depois deixo algumas referêlncias básicas ao final deste raciocínio (o vídeo do YouTube é ótimo...). A derivada é uma informação resumida de uma função matemática. Considere então um automóvel que segue uma trajetória ao longo do tempo que podemos descrever por meio de uma função c(t), com t variando de 0 a T (lê-se "de zero a tê maiúsculo" e não "tesão", isso é matemática, seus pervertidos!). O que importa é que a tal da derivada é um jeito que eu tenho de ter alguma idéia da cara dessa tal função, quando ela for desconhecida. Considere um problema onde é dado o ponto de partida, o ponto de chegada e uma velocidade constante. A velocidade é a derivada de c(t) no contexto automobilístico acima. O grande barato da matemática não é simplesmente fazer um monte de contas, mas tentar representar fenômenos os mais variados de um modo elegante, simples e conciso (é um ramo do conhecimento bastante minimalista).

Se afirmo que sou um morto-vivo é porque acredito que ao longo da minha trajetória pessoal de vida, passei por diversos episódios onde a morte foi a protagonista. E a minha estratégia de sobrevivência basicamente foi "matar a morte e dissecar seu cadáver com muita atenção e respeito". Um título alternativo seria "Lições de anatomia das muitas mortes do flávio", mas convenhamos, seria ainda mais umbigocêntrico do que já é...

Tacada #2 - Bibliografia
Tacada #3 - Machadadas no fio da navalha
Tacada #4 - Copidescando a Loucura Sativa da Donzela Poética
Tacada #5 - São José dos Manos
Tacada #6 - Uma fundação para honrar suicidas
Tacada #7 - Mistérios de Minas
Tacada #8 - Política (de todos e de quase ninguém)
Tacada #9 - Economíadas e o desvario de ciências sociais
Tacada #10 - Sobre guerras e crises (ou O Espólio de Aquiles)
Tacada #11 - O desfecho da ressurreição para a imortalidade


(obs: essa estrutura seria a linha mestra da obra, sujeita a mudanças e adições com o passar do tempo)

domingo, 10 de agosto de 2008

Inquérito -- Dia dos pais

"Quadra 8 tumúlo 9 , cemitério Vila morais , segundo domingo de agosto , dia dos Pais"
(Naquele dia mais uma vez , fui tentar da um abraço no meu pai , sei lá , pode parecer loucura, abraçar quem já morreu mais ... só quem perdeu pra saber a falta que faz , de um pai ).

Meti uma peita preta vesti uma lupa escura
Juntei uns Troco pra floricultura.
Queria te dar outro presente Oh Pai uma beca
Uma camisa do timão um cd sei lá , do Zeca.
Mais fazer o que né?
O senhor que escolheu, preferiu o crime do que a
Familia e deu no que deu.
Pôs no peito dos gambezinho medalha de bronze
Passou a fazer aniversário 2/11.
Meteu os ferro roubou que roubou até umas hora , hein !!!
E onde você tá morando agora?
A 7 palmos longe da mãe de mim e da Roberta
Quando alguém pergunta do pai na escola ela Desconversa .
Se alguém ganhou nessa história foi só seu Advogado
Nóis continua morando num quartinho alugado.
E a mãe não teve estômago pra vir te visitar
Nunca mais foi a mesma depois que cê mudou pra cá.
E tem pesadelo vê vulto direto só consegue dormir tomando
Remédio.
Vive com a frase do pm no ouvido
(É minha senhora melhor uma Viúva do que mais um bandido).

[Refrão:2x]
Eu trouxe seu presente pai é um buquê de flores,
E agora o que que eu faço , eu só queria era poder te dar
um abraço.

Seus parceiro de ação nunca te abandonaram
Até no cemitério te acompanharam.
Tá lembrado do neguinho pilotão de fuga
Tá aí do teu lado ó em outra sepultura .
E aquele mano que era catador Linha de frente
Tá enterrado numa cova logo ali na frente.
Quem não entrou pra quadrilha dos finado
Tá tirando 10 no fechado do são bernardo.
cê foi baleado Lembra?
Fiquei com cê a noite inteira
Nenhum parceiro veio dá uma de Enfermeira .
Só que quando eu mais precisei cadê? cê não tava
Com 13 anos eu virei o homem da casa .
A mãe sofrendo Doente Vivia em hospital
Larguei a escola pra vender sorvete no Taquaral.
É ... cada lembrança é uma lágrima que cai
Mó saudade, mó saudade do meu pai.

[Refrão:2x]
Eu trouxe seu presente pai é um buquê de flores,
E agora o que que eu faço , eu só queria era poder te dar
um abraço.

A mãe tá indo no culto todo domingo
Graças a Deus , acho que se não fosse isso ela já tinha enlouquecido .
Roberta tá moça cresceu que é uma beleza
Já tá até cantando no coral da igreja.
Hoje quando eu te vejo nas fotos em cima do rack
Vivo , positivo , só que nos negativo da kodak .
Lembro do tempo que cê vivia com nós , cê sorria
Mais aí alegria apagou mais rápido que um flash de Fotografia.
E o mesmo crime que te levou por dinheiro Ilusão
Veio te devolve num caixão com flor e algodão.
Olha desculpa se eu falei demais , se eu pesei , fui além
É que eu precisava desabafa com alguém .
Já deu minha hora pai deixa eu ir
cê nunca escutou ninguém e não é Agora que vai me ouvir .
Quem sabe um dia nóis se Tromba nem que seja sonhando
Pra mim te dar o abraço que ficou faltando.

[Refrão:3x]
Eu trouxe seu presente pai é um buquê de flores,
E agora o que que eu faço , eu só queria era poder te dar
um abraço.

(É ... eu acho que , a vida do crime , é que nem a dessas flores que eu te trouxe ...No começo parece que vai ser linda sempre , derepente morre , desmancha , só fica os espinhos ... acho que , os espinhos é que nem a saudade , que fica machucando agente , arranhando a nossa memória ... É pai mais um ano sem você , mais um dia dos pais , sem pais , sem pai , só saudade.)


aos leitores: tem gente que tem pai legal (meu caso), tem gente que sofre mais com a figura paterna, ou acaba ignorando sua existência... esse rap ganhou o Prêmio Hutuz 2006 de melhor som do ano (e foi merecido na minha opinião..)

domingo, 27 de julho de 2008

Innocent bystander

Aspirando a fumaça equivocada,
Fechado em copas, de soslaio
Observo trajetórias alheias
Agrido pessas a esmo
Me viro com melancolia

Seguimos perdidos
Á toa
Contando salários
e years.

"É o acumulado no ano....
Federal withholding
Menos uns dez por cento,
Deve ser a retenção na fonte."

(silêncio)

aos leitores: esse é daqueles poemas que meus colegas odiavam nos tempos de colégio... é bastante hermético e cheio das complicações para dificultar a compreensão... um bom começo que é estragado pelo final.

domingo, 13 de julho de 2008

Sobre os Caídos

O orgulho um tanto ferido quanto manchado.
A análise minuciosa do sabor de asfalto.

Uma confusão de dor, vergonha,
Parálise, contato e desonra.

Verdades fraturadas e reconstruídas,
Parcialmente atadas, em ruína.

Filosofando em compulsório repouso,
Revestido de embuste e rima,
Armando um jogo mental furioso
Forjado de bipolaridade cretina.

(incompleto?)


aos leitores: faz parte da fase 'estabaco' deste q vos escreve. a tentativa de rimas vocálicas não ficou tão ruim assim...

Manual de Instrução para Quedas

O primeiro passo
Pode ser o bastante.
As evidências acumuladas,
Entretanto,
Registram sucessivos deslocamentos
Até a definição.

Uma pedra no caminho,
A falta de atrito
No terreno acidentado,
Qualquer canelada rasteira
Com seu dolo eventual,
Ou uma casca de banana
Anedótica.

Lugares comuns são estopim
Que suscita a partida sem volta.
Imediatamente registra-se a
Suspensão do descrédito,
Ciência do encontro inesperado
Por vir.

Tombos e estabacos
Habitam um mundo de resultados
Pré-determinados e destino.
A depender das circunstâncias,
Resistir ou contestar será
Em vão.

Após a surpresa constatada,
É preciso aceitar submisso, pois
Existe apenas uma breve janela
para minorar os danos futuros.
Os milissegundos em questão
Permitem somente espasmos
Reacionários.

Durante a próxima etapa
O único papel cabível é o
De espectador privilegiado,
Testemunha ocular do súbito
Rebaixamento de bípede a ser
Rastejante.

Curioso perceber a cronologia
Das sensações invertendo a ordem
E o fato da dor ganhar destaque bem depois de
Um beijo no asfalto.

Uma queda mais ambiciosa
Traz sofrimento crescente e adota
Sutilezas, como os pontos de
Impacto coadjuvantes, onde (aí sim) revela
Pleno potencial.

Pode-se questionar
Equívocos de instante
Ou pensar nas seqüelas a prazo.
Amarras que atam outrora e adiante:
O verdadeiro suplício.

aos leitores: fase 'estabaco'... umas imagens interessantes, uma perspectiva temporal... enfim, são as coisas que me interessam quando paro na frente do teclado pra escrever... até que não ficou tão ruim...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Seguro de Vida

Antes de mais nada, cumpre observar que este espaço é um lugar para os meus textos pessoais, refletindo portanto a minha opinião, única e exclusivamente. Aqui sou rei e mando e desmando conforme bem entender.

Agora, esses bits e bytes que eternizam meus pensamentos vêm com data marcada indicando exatamente quando foi o instante em que cada coisa foi publicada. Publicar em um blog não é algo imutável, decerto, mas basta deixar tudo quieto por aqui que no final teremos um documento armazenado nos mainframes da Google, confirmando que tais e tais palavras foram registradas em tal dia e tal hora.

Então, se eu faço um breve interlúdio no ritmo das poesias para explicar esses trâmites legais é somente para escrever um seguro de vida no lugar de testamento. Engraçado, né? O melhor lugar para expor acaba sendo o mais universal, pois aqui posso extravasar e descrever fatos com a riqueza de detalhes enorme. Logicamente, é preciso ter responsabilidade perante os fatos para não cair em perjúrio... Segue então uma peça que carinhosamente batizei de O TESTEMUNHO DA VÍTIMA (nomes modificados para evitar o comprometimento dos envolvidos, antes da hora necessária):

+ Fato 1: Conforme o recibo do cartão de débito (Prova 1) às 22h53min da Quinta-Feira, dia 3 de julho de 2008, a vítima pagou a conta em um bar (CABRITO AZUL) localizado no bairro de Botafogo.

+ Fato 2: De acordo com testemunho de um gerente do referido estabelecimento, havia uma preocupação a respeito do bem-estar da vítima e de sua capacidade de voltar para casa sem se acidentar. Também de acordo com o dito gerente, ao sair do bar uma viatura policial passou em frente e parou para averiguar a situação.

+ Fato 3: Após assegurar o gerente de que a vítima seria interpelada para garantir a sua própria segurança, o Sargento HEMATOMAS a abordou acompanhado de mais um elemento, que a imobilizou e a levou a uma localidade então indeterminada onde foi segura junto a uma maca hospitalar, enquanto o referido Sargento esvaziava seus bolsos (Após investigação posterior, confirmou-se que o local do incidente fora a garagem de serviço do Hospital SARRACENO, nas imediações).

+ Fato 4: Após a vítima demonstrar ciência do nome em sua farda de serviço, o referido Sargento alterou seu procedimento, buscando caneta e papel para anotar informações relevantes à rotina da vítima (CPF, RG, local de trabalho), retornando todos os documentos à carteira (Favor referir Prova 2 - camiseta marcada por traços de uma caneta esferográfica azul).

+ Fato 5: Como forma de demonstrar que a ameaça ao bem-estar futuro da vítima era real, o Sargento pegou a muleta de apoio que a vítima portava e golpeou diversas vezes o chão, até que ela se quebrasse (Ver Prova 3).

+ Fato 6: Em seguida a vítima foi libertada, tendo sido retornadas sua carteira e os dois pedaços da muleta. Acredita-se que os elementos tenham mantido consigo o celular Siemens C72 e uma pequena quantia em dinheiro que estava na carteira (por volta de R$30).

Após esse incidente a vítima regressou ao seu domicílio.

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Afinal de contas, pra quê serve esse texto? Acho que o principal problema disso tudo é saber como a vítima pode continuar com a sua rotina e enfrentar esse trauma lastimável. Provavelmente seria uma boa idéia registrar tudo isso o quanto antes em uma mídia que servisse de prova documental de que essas coisas ACONTECERAM sim. Para além de BOs, de denuncismo discado e anônimo, acho que o essencial é colocar o máximo de informações sobre isso o mais rápido possível, de modo que, se qualquer ameaça se concretizar, será possível voltar para bem perto da data em questão e mostrar tudo que já estava lá (violência, ameaça, etc.). Pois, francamente, acredito que essa tal vítima não tenha perdido muito tempo de sua vida tendo contato com bares, hospitais e policiais, a ponto de ser possível tecer qualquer trama sórdida e desabonadora a seu respeito.

E se acontecer um acidente urbano desses que marcam a tragédia do nosso dia-a-dia (atropelamento, latrocínio, bala perdida)? Bom, mais uma vez teremos essas palavras escritas para determinar um ponto de partida para uma investigação realmente profissional. E neste caso, a depender da gravidade do dano, não haverá nada mais a fazer além disso. E que a força da justiça recaia sobre os culpados!


aos leitores: um testemunho sobre um episódio exótico acontecido poucos dias antes deste post ser escrito. foi um jeito de exorcizar o trauma o quanto antes e não ficar achando que a vida é cheia de bicho-papão... (não tem muito valor "estético-literário".

sábado, 5 de julho de 2008

Limiar

Vejo logo à frente
As raias da loucura
Onde euforia e caos dançam em desespero.
Me convidam a participar
Com meu passo ébrio
Das sessões de descontrole e perda.

Não há livre arbítrio
Para decidir racionalmente,
Pois sou um graveto no olho do furacão.
Cambaleio e disfarço,
Sou tragado pela mata escura,
Me tornando a alma da festa macabra.

Insânia e pesadelo
Substanciados na exótica realidade
Que nostalgicamente evoca torturas em anos de chumbo.
Até onde vai a vontade
De resistir sem ser quebrado?
Quanta violência até ouvir gritos de socorro?

E se pestanejar resoluto
Mesmo depois de perder os apoios?
Há que se pensar sempre no dia seguinte,
No próximo e no porvir,
Quando só restarem cicatrizes
E um semblante de couraça inabalável.

De fato, não há
Critérios definitivos,
Nem um limite para o sofrimento.

O que restará quando
Cada osso jazer em pedaços
E a loucura for o único alívio à solidão?
Mais uma dose, por favor.
Aquela última era bem fraquinha...
A noite vai ser longa e vou ficar de pé até o final.

[ 05-jul-2008 | 09h43min ]

obs: dois restar a corrigir...


aos leitores: esse aqui saiu do forno quando o coração ainda palpitava pela agressão e furto que sofri... então é natural que haja feridas abertas que não são particularmente fáceis de cicatrizar. mas com terapia e força de espírito a gente sempre consegue seguir adiante... com lucidez e vontade de chegar mais longe...

domingo, 9 de dezembro de 2007

Teclando aleatoriamente

Me lambuzo com esse doce deleite,
Brincando com as palavras,
.Infâmia inconseqüente..
Apresentando aliterações que não
passam de uma desculpa esfarrapada
que justifique o uso da trema.

Me inebria esse quebra-cabeça de orações
subordinadas adversativas com seus múltiplos
caminhos possíveis.

A retórica que pode ser ajustada.
Ora é "tapa de pelica" com afeto
Ou então "esmaga o opressor, aniquila, fulmina"

Falo de palavras com o mesmo fascínio
do exímio espadachim por sua lâmina.
As mãos que anseiam ferir
através da ferramenta cortante.
Mostrando de forma cerimonial toda letalidade latente.

Por vezes sinto um fluxo torrencial de palavras
que exigem serem escritas a um ritmo frenético de
milhares de teclas por minuto,
feito uma submetralhadora de uso exclusivo militar,
que estraçalha a esmo...
Ao arrepio das leis.

Fico então em cárcere privado.
Me acompanham os fonemas e sintaxe
num processo que não parece
ter fim.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Guerra e Paz

- I : Escalada -

O aroma de terra molhada antecipa
Pancadas
De chuva por vir

Essa chuva que cai maneira
É tagarela
E criptografa no céu:
"Não temas o trovão, meu filho...
Mas se quiseres a paz,
Então prepara-te para a guerra."

Espontaneamente separo
Meu uniforme de campanha
E escrevo cartas-testamento
Jurando amor após a morte (inevitável)
A tantas mulheres desta vida breve
(Mesmo àquelas que sequer conheci)

O clamor de trombetas me impele,
Subjugando o medo que contraria meu coração

As conversas diplomáticas desandaram
E a tempestade lá fora
É enchente de lágrimas coletivas
Que inundam salgadas
De dores e traumas
Sofridos
Por antecipação.

- II : Choque -

Decerto não amo o conflito,
Tampouco desejo ver correndo
O sangue alheio por minhas mãos.

De que me importa o motivo mais nobre a lavar a alma
Se a avalanche de mágoas e corpos
Soterrará minha parca redenção?

Oh, Deus, escutai essa prece...
"Oxalá que fôra possível apaziguar o atrito
E unir a todos durante a ceia
Em louvor ao nascimento de Vosso filho
(Feito uma enorme família feliz)."

Mas os céus foram bem claros:
"Não há escapatória.
Se quiseres a paz,
Então prepara-te para a guerra"

Por favor me proteja, ó Pai...

- III : Sobrevida -

A glória da batalha veio em vão.
E concordo com Pirro, que ceticamente indaga:
"Vitória?"

O tempo há de cauterizar as feridas
E transfigurar chagas em cicatrizes
Que eternamente nos lembrarão
Das perdas e baixas desta lida.

Mais tarde, quando o Tribunal dos Pecados
Me intimar e pesar meus mortos,
Minha única defesa a proferir será:
"Peço desculpas a todos os corações partidos.
Eu só quis a paz
E é justamente por isso
Que vim, vi e venci
A guerra."

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Untimely declaration of war

- I : Call to arms -

Vez por outra a desgraça me comove
E mesmo contrariado, pego em armas.
Sem medo de usá-las, ainda choro.
Do conflito em escalada
Não há escapatória:

"Eu sei que vou sofrer..."
Eu sei que vou matar.
Quero sobreviver
Pelos destroços
Ressuscitar.
Vencer só por vencer
Não sei
Comemorar.


- II : Deterrence -

"Se há sangue correndo nas ruas
Compre ações."
Há um lado de mim nefasto
Programado para matar.
Nem poético, nem democrático,
Sim truculento e implacável.

E esse barril de pólvora é apólice
que assegura minha humanidade.
É meu filhote de pitbull assassino
que se deleita ao dilacerar.

Cultivo a violência com apuro e carinho
para não sucumbir ao fascínio
para que ainda seja eficaz
e não tenha que usá-la.

sábado, 29 de setembro de 2007

Um anjo no meio da guerra -- Inquérito

Música: Anjo no meio da guerra.
Artista: Inquérito.

Me sinto tipo um anjo no meio da guerra
Um raio de luz sozinho nas trevas

É com você mesmo, a chapa tá fervendo
E uma pá de parceiro eu vi ir pro arrebento
Atrás do sustento escarrando o veneno
A mil derretendo, não tô podendo
Até tento. Conselho, panfleto e nada
Será que é eu que tô lutando de arma errada?
Os manos tudo de quadrada, 380
E o vagabundo aqui só com a consciência
É que eu não quero lutar dessa forma sangrenta
Só que a vida me faz soldado de nascença
Nem pensa, agüenta truta, sem dar fuga
Na guerra a fé é a única armadura
(Aí sem mula ó) Me sinto tipo um anjo no meio da guerra
Um raio de luz sozinho nas trevas
Sabe, que nem uma flor no concreto
Uma árvore sufocada entre os prédios
Mas enxugo as lágrimas
Esqueço o orgulho e lembro do amor
Só que a revolta aqui parece ser que nem um tumor
Vai aonde eu vou, tá em cada pedaço
Dentro do coração tipo um marca passo
Né fácil, não existe paz artificial
Eu planto o amor só que não colho nem a pau
Acho que é porque é igual pé d’uma fruta
Zé povinho sempre arranca antes de tá madura
Já era pra eu ter perdido a cabeça se for ver
Qual será que é o caminho?
Um pente ou um buquê?
Um tambor, uma flor, um botão ou uma mecha
Quem vai ganhar essa hein, as balas ou as pétalas?

[REFRÃO] 2 X
Quando a tristeza invade eu não vejo passagem
A mão de Deus se abre e me dá a chave pra felicidade

Fala com Deus, ora que é o melhor jeito
Liga pro céu o telefone é o joelho
Nunca é tarde pra se arrepender, abre o peito
Quem nasceu pra carregar peso foi camelo
Dinheiro é a lâmpada dos tolos
Uma hora apaga
Meus Deus é a luz do sol que nunca acaba
Esmaga o opressor, aniquila, fulmina
Destrói o inferno, bota o inimigo na palmilha
Entende, ninguém morreu na cruz pra fazer pose
É quente, ele é um só não tem cover
Fácil é andar com cristo no peito, no pingente
Difícil é ter peito pra tá com ele sempre
Bem diferente né, se liga aí
Ele não é rintintim, a bíblia não é gibi
Eu vi uma pá de estrela apagar de um hora pra outra
Por isso que eu prefiro ser que nem lantejoula
À pampa, brilhando pouco bem humildão
Tá bom, no fim toda brasa vai virar carvão
Né não, então espero e relaxo, não tenho pressa
O bom sabe a hora, ninguém morre na véspera

[REFRÃO] 2 X
Quando a tristeza invade eu não vejo passagem
A mão de Deus se abre e me dá a chave pra felicidade

Roubar pode até financiar seu sonho
Só que não dá abraço do pátio nem consolo
Sua mãe contente vale mais que qualquer carro novo
Viver com quem te ama isso sim que é tesouro
Opa, espere um pouco truta, agüenta firme
O pote de ouro tá no fim do arco-íris
Insiste, resiste, não desanima fica de boa
O mano da manjedoura não nasceu à toa
Na cruz correu o sangue no tronco também
A África chorou que nem Jerusalém
Eu tô seguindo o exemplo do tiozinho
Que trampa de porteiro e a noite faz supletivo
Não, não desisto eu ainda to na busca
Da união que eu encontrei só no açúcar
Em punga guerreira, parceira da fé
Maninho diz que tá firmão vai ver tá igual geléia
Esperança me escolta, a fé, meu guarda-costas
O diabo não me afoga, Jesus é minha bóia
Vamo que vamo aí, aos trancos barrancos
DVC em branco aí, isso que é ser malandro

Eu sou um anjo, eu sou um anjo...na guerra.

[REFRÃO] 5X
Quando a tristeza invade eu não vejo passagem
A mão de Deus se abre e me dá a chave pra felicidade.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

suspensão temporária

isso aqui já tá parado há algum tempo (esse é o único post de fevereiro), mas tem três bons motivos...

1)microeconomia

2)análise real

3)macroeconomia


mestrado não tá fácil...

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Primeira rima....

[Normalmente costumo comentar no final, mas dessa vez segue uma explicação. Essa é uma tentativa de rap, que é um gênero musical deveras interessante. Acho que é beeem preliminar esse meu texto, no sentido que pode estar ruim de métrica e de vocabulário, mas mesmo assim... na minha cabeça funcionou razoavelmente bem! Um pouco medíocre mas nào de todo descartável. Óbvio que os caras bons (Black Alien, RZA, Mano Brown, D2, Snoop Dogg, Tupac, etc.) me humilham, mas aí nem tem comparação....]

Boto a banca quebro a tranca,
no veneno e na marra
de uma rima muito franca.
Paz sincera não se manca;
a fé espera, a vida escarra.

Esculacho de polícia
conheci e não é farra,
um pedido de suplício.
"Tu não honra tua farda!"
Rouba o ouro -- sacrifício...
Mais um murro não é difícil
e eu sangrando na calçada.

---------------------------

Morena, me alenta e afaga.
Um sussuro é meu delírio,
depois o beijo e me mata.
Nem pergunta o motivo
que a vida é só desgraça
-- me fudendo p/ PM
se pensa dono desta praça.
Também não sou nenhum cativo,
refém de vício destrutivo.
Não me esmaga a sociedade...

Se antes morto do que vivo
é que não tem mais o sentido
e pra dizer toda verdade
já perdi de sobreaviso
o que tinha desta vida.

Da vitória prometida
só me resta a ferida,
cicatriz após partida.
Nesse mundo só saudade...

domingo, 21 de janeiro de 2007

"Só bem pior foi..."


( ) tem dias que são bons
( )        ou pelo menos banais
( ) outros nem tanto assim – bem pior

constatar esse fato em versos não é meritório
       só uma dentre tautologias várias

hoje meio pessimista
       assinalo a terceira opção

o efeito é claro e o motivo tão óbvio

é bobagem chorar e se fazer de vítima
            a saga continua
se a farsa é difícil, paciência
ainda precisamos de sustento




"a vida é caixinha de surpresas"

há um balde de merda e o perigo nefasto
ao que foi consumado nunca voltaremos atrás

perdas e danos, chagas e hematomas
engolimos em seco p/ suportar

      e seguir adiante não sendo passivo

é crime (afinal) a cara fechada?
meu semblante franzido NÃO! vai se explicar

nem o passado nem o futuro garantem
sequer fiapo
      de esperança alvissareira




Acontece...
acontece o relato
um grãozinho de instante
enquanto o firmamento volteia

por tentação e erro
o amanhã é alterado
cada nova lição desamarra
      a história por vir

esse revisionismo pra frente
pouco a pouco
exorciza a desgraça
      identifica o caminho a seguir

faz-se agora a lista santa dos "afasta":




por favor...
      ...me deixa longe do atrito
(mesmo que não saiba adivinhar)

      ...distancia do próximo
            o clamor por conflito
(a cada qual o seu espaço incólume)

      ...telepatiza essa prece
a muitos
       no hoje, no amanhã
e n'outrora

      ...elimina os problemas
me deixa viver a utopia sem risco


...so far away...

domingo, 14 de janeiro de 2007

Meu bunker virtual

Este espaço delimitado é o meu bunker virtual

Onde posso ser gigante
Onde posso ser forte
Onde posso ser sincero
Onde posso ser eu mesmo

Mas eu simplesmente quero ser
livre de qualquer amarra e
dizer o que penso e sentir o que sinto
sem remorsos, meias-palavras...
Sequer cautela.

Mas esse é o meu erro,
pois o espaço para ser eu mesmo é delimitado
e o perímetro de segurança fora transgredido.
Por muito pouco -- quase nada --
foi como se eu virasse um bandido.

Se era previsível o 'esculacho'
confesso a minha vã ignorância.
Quem dera se julgar um cidadão de bem
fosse o bastante p/ me proteger.

Pq a PM que eu quero não me faz sentir medo.
Pq (afinal de contas) eu não tenho direito
de querer nada da PM?

A quem quer que seja que possa pedir algo,
por favor, eu imploro e conclamo:
Faça com que ao menos a segurança difira da intimidação.

Que o tempo não seja perdido em torturas inúteis
e o esforço mais digno possa trazer a recompensa mais justa,
pois não há mérito em enquadrar uma pessoa a esmo
sem nem pensar ou ponderar a respeito.

Mas hoje em dia... pra quê pensar ou cogitar um motivo?
Quando o único bônus jaz no exercício
de uma autoridade feito estupro.

Eis-me agora lamentando o instante. Humilhado,
repassando cada momento de livre arbítrio autoritário:
"Quem você é?"
¿E é a minha importância calada que me deixa viver?

Papai do céu, tios e primos do além, por favor me salvem,
pois somente uma carteirada poderá fazer bem.
Temos tantas horas para cobrar honra à farda,
por que não importunar um qualquer alguém?

Essa é a lógica, esses são os incentivos
e a minha única reação imediata é a distância:
Me afasta do conflito, me deixa tranqüilo.
O que mais quero é o meu espaço já delimitado,
porto seguro cheio de amparo, com as palavras lidas a acalentar.

Sigo adiante e fujo da mira,
inexistem mocinhos, aliados ou qualquer um a admirar.
Na ingrata batalha pela segurança pública
só vejo soldados rasos molestando o pouco de paz.
Como se houvesse graça mesquinha
em vilipendiar nobres princípios...
Como se a luta prestasse tão apenas p/ diminuir o próximo.
Como se houvesse conforto ao me humilhar.