== flickr (R) ==
As imagens passam de maneira breve
E deixam seus vestígios subliminares
Em pouco tempo milhares de lembranças
Formam duas torrentes opostas
De um lado a memória e meus sentimentos
Do outro os implacáveis detalhes eternos
Paradoxo e conflito em lacunas inesperadas
Encurralado e rendido no desafio de olhar
----------------------
== PROBLEMA ==
A vida é um fenômeno solitário em sua essência.
Por que participar da miséria alheia?
Limitando as múltiplas escolhas a duas apenas,
Defina seus espaços de coexistência e contraponto.
Resposta:_________________________________
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
sublimação do amor (em etapas)
queria te ver morrer feito minha alma gêmea desgarrada,
com todo suplício mútuo, em eterna companhia,
um acalanto a dois, intimista.
...ou talvez um pouco mais...
queria te ver morrer feito pária em família,
para fazer entes queridos sentirem a perda.
ver os lamentos esvaindo dos olhos salgados
e o arrependimento dando lugar ao perdão.
....ou talvez algo além...
queria te ver morrer como farol de seita amistosa,
recebendo o carinho profundo daquelas pessoas
que se mantiveram a uma distância segura,
vítimas de conversas desinteressadas porém fatais.
...ou talvez mais abrangente...
queria te ver falecer vestida de mártir na igreja,
um segundo antes do exército carpideiro ficar a postos,
vítima do lado mais cruel e súbito da natureza.
deixar seu fim antitético em contraponto
a uma vida como tese sóbria e sensata
da existência de um deus criativo e amoroso
ou talvez universal...
queria te ver eterna, levitando alheia a tudo,
diáfana e translúcida, em ritmo de exceção.
vociferando estrofes
(como línguas de fogo manso)
entre acalantos de brandura
(a todas as espécies necessitadas).
fulminando infiéis com um olhar de candor sem cerimônia,
aberta para todos, percebida por quase ninguém --
minha mais querida tragédia humana sem dono...
12.dez.2008 - 03h22min
[esse poema poderia ser enquadrado numa fase de "suturas" afetivas. esporadicamente sinto a necessidade de processar as emoções e sofrimentos do passado de uma maneira que seja saudável. de uma maneira mais orgânica, é como se eu rodasse o "defrag" nessas memórias partidas para deixar a cabeça funcionando melhor. o poema aqui tem um pouco de angústia, um tanto de mágoa, mas não é difícil entender a trajetória evolutiva rumo à sublimação]
com todo suplício mútuo, em eterna companhia,
um acalanto a dois, intimista.
...ou talvez um pouco mais...
queria te ver morrer feito pária em família,
para fazer entes queridos sentirem a perda.
ver os lamentos esvaindo dos olhos salgados
e o arrependimento dando lugar ao perdão.
....ou talvez algo além...
queria te ver morrer como farol de seita amistosa,
recebendo o carinho profundo daquelas pessoas
que se mantiveram a uma distância segura,
vítimas de conversas desinteressadas porém fatais.
...ou talvez mais abrangente...
queria te ver falecer vestida de mártir na igreja,
um segundo antes do exército carpideiro ficar a postos,
vítima do lado mais cruel e súbito da natureza.
deixar seu fim antitético em contraponto
a uma vida como tese sóbria e sensata
da existência de um deus criativo e amoroso
ou talvez universal...
queria te ver eterna, levitando alheia a tudo,
diáfana e translúcida, em ritmo de exceção.
vociferando estrofes
(como línguas de fogo manso)
entre acalantos de brandura
(a todas as espécies necessitadas).
fulminando infiéis com um olhar de candor sem cerimônia,
aberta para todos, percebida por quase ninguém --
minha mais querida tragédia humana sem dono...
12.dez.2008 - 03h22min
[esse poema poderia ser enquadrado numa fase de "suturas" afetivas. esporadicamente sinto a necessidade de processar as emoções e sofrimentos do passado de uma maneira que seja saudável. de uma maneira mais orgânica, é como se eu rodasse o "defrag" nessas memórias partidas para deixar a cabeça funcionando melhor. o poema aqui tem um pouco de angústia, um tanto de mágoa, mas não é difícil entender a trajetória evolutiva rumo à sublimação]
sábado, 18 de outubro de 2008
Inovações Literárias I - Começando do começo
Confissões de um quase morto-vivo - uma não-ficção paradidática
Saudações! Primeiro gostaria de lhe agradecer pelo imenso privilégio que é ter a SUA atenção exclusiva nessa curiosa empreitada literária. Qualquer escritor há de confirmar como é difícil ser lido por outras pessoas, especialmente pelos analfabetos. Então podemos aproveitar o momento para nos comprazer-nos da oportunidade aproveitada para ter acesso a uma educação minimamente razoável e chegar hoje a um momento bastante peculiar em que podemos iniciar essa comunicação por palavras.
Cuidando ainda de alguns finalmentes, anuncio dois postulados básicos que orientam o modus operandi deste autor zumbi: (1) A verdade não tem dono, (2) É conversando que a gente se entende. Na verdade para ser conceitualmente mais preciso, seria interessante partir de (1) e chegar em (2) dando pequenos passos rigorosos e bem definidos, como numa demonstração matemática. Sim, de fato, há outras maneiras mais herméticas de chegar nas mesmas conclusões, mas confiem em mim, pois um sujeito vivo e morto ao mesmo tempo de repente pode ter razões sólidas para argumentar desta maneira em vez de outra. Mas o interessante é que ao considerarmos (1) e (2) torna-se interessante abrir o espaço para interpretações divergentes da realidade e poucas coisas podem ser tão agradáveis quanto o debate. Sendo assim, disponibilizo o endereço do meu sítio virtual. Nos comentários aos posts teremos um fórum adequado para dialogar (se bem que sou suspeito para falar, pois quem manda lá sou eu! hehe)
Feitos os agradecimentos e o marketing pessoal é chegado o momento de dizer exatamente quem sou, o que fiz e tentar satisfazer a clientela da melhor maneira possível...
-----
Tacada #1 - Identidade
Me chamo Flávio. Pois bem, na verdade como a maioria das pessoas eu tenho um documento de identificação com um monte de outras informações, mas o que importa mesmo é que a maioria das pessoas me conhece como "flávio", puro e simples.
Sou o protagonista e autor destas confissões e sendo assim será necessário explicar meu status de morto-vivo. Notem que essa definição no início pode não fazer lá muito sentido, por isso é bom ter paciência e acreditar no narrador ou então desistir e buscar algo melhor para fazer (pelo que vejo nas livrarias cariocas do início do século XXI, a auto-ajuda continua dominando os mais vendidos). Aqueles com maior quilometragem literária devem naturalmente ter um pouco de ceticismo e podem até fazer a comparação com os meus antepassados, a dupla Brás-Machado. Antes de mais nada, é fácil chegar a um consenso e afirmar categoricamente que a analogia é banal, pois requer uma meia dúzia de bits e um processador vagabundo. Ou seja, um calouro de programação deve ser capaz de, em poucas horas, escrever um código que vasculhe um site como o da amazon.com para separar todos os cem títulos que apresentam a mesma temática central (ouvi dizer outro dia que o Brás fora inspirado num certo Tristram Shandy e achei a acusação de plágio atribuída ao bruxo do Cosme Velho absurdamente pueril). Mas deixemos os apartes de lado.
Há uma vasta gama de trabalhos que têm como foco vida e morte. E isso tem uma explicação bastante simples. Nós vivemos, um dia morreremos e temos quase que uma compulsão por partilhar histórias. E só. Se no ano do centenário da morte de Machado de Assis aproveitamos essa oportunidade para relê-lo e descobrimos que anos antes um certo Laurence Sterne inventara um narrador galhofeiro e descompromissado (pois morto se encontra) não vejo motivo para pânico. O lugarzinho dele entre os grandes seres humanos brasileiros está garantido e eu aposto que meus bisnetos acompanharão as festividades do segundo centenário de sua morte em 2108, confirmando mais uma vez o que as suspeitas do próprio escritor das Memórias Póstumas: "É só escrever uns livrinhos aí, assinar tudo, depois fundar uma ABL (que nem a de Paris) e pronto! mais dia menos dia viro imortal... Bela idéia, Machado... Bela idéia, meu caro..."
Como diz o subtítulo, esta obra é uma "não-ficção", portanto não pretendo perder tempo fazendo ilações a respeito dos pensamentos íntimos de autores mestiços e subdesenvolvidos de 1800 e tal. Prefiro focar na minha verdade particular enquanto sujeito mestiço e subdesenvolvido do novo milênio... Então voltemos à discussão inicial do que vem a ser um "morto-vivo".
Definição 1
vivo - característica peculiar àquilo que possui capacidades cognitivas e que segue uma trajetória com um ponto inicial (nascimento) e um terminal (morte).
Definição 2
morto - o não-vivo.
Parece meio óbvio, mas é bom que seja assim, pois com definições concisas e claras a gente ainda pode ir muito longe. A maioria dos leitores que não teve acesso a uma formação menos humana e mais exata provavelmente não faz a menor idéia do que é uma derivada, então prefiro dar uma intuição básica e depois deixo algumas referêlncias básicas ao final deste raciocínio (o vídeo do YouTube é ótimo...). A derivada é uma informação resumida de uma função matemática. Considere então um automóvel que segue uma trajetória ao longo do tempo que podemos descrever por meio de uma função c(t), com t variando de 0 a T (lê-se "de zero a tê maiúsculo" e não "tesão", isso é matemática, seus pervertidos!). O que importa é que a tal da derivada é um jeito que eu tenho de ter alguma idéia da cara dessa tal função, quando ela for desconhecida. Considere um problema onde é dado o ponto de partida, o ponto de chegada e uma velocidade constante. A velocidade é a derivada de c(t) no contexto automobilístico acima. O grande barato da matemática não é simplesmente fazer um monte de contas, mas tentar representar fenômenos os mais variados de um modo elegante, simples e conciso (é um ramo do conhecimento bastante minimalista).
Se afirmo que sou um morto-vivo é porque acredito que ao longo da minha trajetória pessoal de vida, passei por diversos episódios onde a morte foi a protagonista. E a minha estratégia de sobrevivência basicamente foi "matar a morte e dissecar seu cadáver com muita atenção e respeito". Um título alternativo seria "Lições de anatomia das muitas mortes do flávio", mas convenhamos, seria ainda mais umbigocêntrico do que já é...
Tacada #2 - Bibliografia
Tacada #3 - Machadadas no fio da navalha
Tacada #4 - Copidescando a Loucura Sativa da Donzela Poética
Tacada #5 - São José dos Manos
Tacada #6 - Uma fundação para honrar suicidas
Tacada #7 - Mistérios de Minas
Tacada #8 - Política (de todos e de quase ninguém)
Tacada #9 - Economíadas e o desvario de ciências sociais
Tacada #10 - Sobre guerras e crises (ou O Espólio de Aquiles)
Tacada #11 - O desfecho da ressurreição para a imortalidade
(obs: essa estrutura seria a linha mestra da obra, sujeita a mudanças e adições com o passar do tempo)
Saudações! Primeiro gostaria de lhe agradecer pelo imenso privilégio que é ter a SUA atenção exclusiva nessa curiosa empreitada literária. Qualquer escritor há de confirmar como é difícil ser lido por outras pessoas, especialmente pelos analfabetos. Então podemos aproveitar o momento para nos comprazer-nos da oportunidade aproveitada para ter acesso a uma educação minimamente razoável e chegar hoje a um momento bastante peculiar em que podemos iniciar essa comunicação por palavras.
Cuidando ainda de alguns finalmentes, anuncio dois postulados básicos que orientam o modus operandi deste autor zumbi: (1) A verdade não tem dono, (2) É conversando que a gente se entende. Na verdade para ser conceitualmente mais preciso, seria interessante partir de (1) e chegar em (2) dando pequenos passos rigorosos e bem definidos, como numa demonstração matemática. Sim, de fato, há outras maneiras mais herméticas de chegar nas mesmas conclusões, mas confiem em mim, pois um sujeito vivo e morto ao mesmo tempo de repente pode ter razões sólidas para argumentar desta maneira em vez de outra. Mas o interessante é que ao considerarmos (1) e (2) torna-se interessante abrir o espaço para interpretações divergentes da realidade e poucas coisas podem ser tão agradáveis quanto o debate. Sendo assim, disponibilizo o endereço do meu sítio virtual
Feitos os agradecimentos e o marketing pessoal é chegado o momento de dizer exatamente quem sou, o que fiz e tentar satisfazer a clientela da melhor maneira possível...
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Tacada #1 - Identidade
Me chamo Flávio. Pois bem, na verdade como a maioria das pessoas eu tenho um documento de identificação com um monte de outras informações, mas o que importa mesmo é que a maioria das pessoas me conhece como "flávio", puro e simples.
Sou o protagonista e autor destas confissões e sendo assim será necessário explicar meu status de morto-vivo. Notem que essa definição no início pode não fazer lá muito sentido, por isso é bom ter paciência e acreditar no narrador ou então desistir e buscar algo melhor para fazer (pelo que vejo nas livrarias cariocas do início do século XXI, a auto-ajuda continua dominando os mais vendidos). Aqueles com maior quilometragem literária devem naturalmente ter um pouco de ceticismo e podem até fazer a comparação com os meus antepassados, a dupla Brás-Machado. Antes de mais nada, é fácil chegar a um consenso e afirmar categoricamente que a analogia é banal, pois requer uma meia dúzia de bits e um processador vagabundo. Ou seja, um calouro de programação deve ser capaz de, em poucas horas, escrever um código que vasculhe um site como o da amazon.com para separar todos os cem títulos que apresentam a mesma temática central (ouvi dizer outro dia que o Brás fora inspirado num certo Tristram Shandy e achei a acusação de plágio atribuída ao bruxo do Cosme Velho absurdamente pueril). Mas deixemos os apartes de lado.
Há uma vasta gama de trabalhos que têm como foco vida e morte. E isso tem uma explicação bastante simples. Nós vivemos, um dia morreremos e temos quase que uma compulsão por partilhar histórias. E só. Se no ano do centenário da morte de Machado de Assis aproveitamos essa oportunidade para relê-lo e descobrimos que anos antes um certo Laurence Sterne inventara um narrador galhofeiro e descompromissado (pois morto se encontra) não vejo motivo para pânico. O lugarzinho dele entre os grandes seres humanos brasileiros está garantido e eu aposto que meus bisnetos acompanharão as festividades do segundo centenário de sua morte em 2108, confirmando mais uma vez o que as suspeitas do próprio escritor das Memórias Póstumas: "É só escrever uns livrinhos aí, assinar tudo, depois fundar uma ABL (que nem a de Paris) e pronto! mais dia menos dia viro imortal... Bela idéia, Machado... Bela idéia, meu caro..."
Como diz o subtítulo, esta obra é uma "não-ficção", portanto não pretendo perder tempo fazendo ilações a respeito dos pensamentos íntimos de autores mestiços e subdesenvolvidos de 1800 e tal. Prefiro focar na minha verdade particular enquanto sujeito mestiço e subdesenvolvido do novo milênio... Então voltemos à discussão inicial do que vem a ser um "morto-vivo".
Definição 1
vivo - característica peculiar àquilo que possui capacidades cognitivas e que segue uma trajetória com um ponto inicial (nascimento) e um terminal (morte).
Definição 2
morto - o não-vivo.
Parece meio óbvio, mas é bom que seja assim, pois com definições concisas e claras a gente ainda pode ir muito longe. A maioria dos leitores que não teve acesso a uma formação menos humana e mais exata provavelmente não faz a menor idéia do que é uma derivada, então prefiro dar uma intuição básica e depois deixo algumas referêlncias básicas ao final deste raciocínio (o vídeo do YouTube é ótimo...). A derivada é uma informação resumida de uma função matemática. Considere então um automóvel que segue uma trajetória ao longo do tempo que podemos descrever por meio de uma função c(t), com t variando de 0 a T (lê-se "de zero a tê maiúsculo" e não "tesão", isso é matemática, seus pervertidos!). O que importa é que a tal da derivada é um jeito que eu tenho de ter alguma idéia da cara dessa tal função, quando ela for desconhecida. Considere um problema onde é dado o ponto de partida, o ponto de chegada e uma velocidade constante. A velocidade é a derivada de c(t) no contexto automobilístico acima. O grande barato da matemática não é simplesmente fazer um monte de contas, mas tentar representar fenômenos os mais variados de um modo elegante, simples e conciso (é um ramo do conhecimento bastante minimalista).
Se afirmo que sou um morto-vivo é porque acredito que ao longo da minha trajetória pessoal de vida, passei por diversos episódios onde a morte foi a protagonista. E a minha estratégia de sobrevivência basicamente foi "matar a morte e dissecar seu cadáver com muita atenção e respeito". Um título alternativo seria "Lições de anatomia das muitas mortes do flávio", mas convenhamos, seria ainda mais umbigocêntrico do que já é...
Tacada #2 - Bibliografia
Tacada #3 - Machadadas no fio da navalha
Tacada #4 - Copidescando a Loucura Sativa da Donzela Poética
Tacada #5 - São José dos Manos
Tacada #6 - Uma fundação para honrar suicidas
Tacada #7 - Mistérios de Minas
Tacada #8 - Política (de todos e de quase ninguém)
Tacada #9 - Economíadas e o desvario de ciências sociais
Tacada #10 - Sobre guerras e crises (ou O Espólio de Aquiles)
Tacada #11 - O desfecho da ressurreição para a imortalidade
(obs: essa estrutura seria a linha mestra da obra, sujeita a mudanças e adições com o passar do tempo)
quarta-feira, 30 de julho de 2008
A conversa (que não houve)
Já se perguntou, amiga, o que aqui fazemos?
Nesse telhado, de frente para o luar,
E os espaços infinitos entre as estrelas,
E os espaços finitos entre todos nós...
Já se perguntou, alguma vez,
O que será que estamos a observar?
Se dias e noites de transeuntes da cidade,
Ou noites e dias de gatos a pular, telha a telha,
Nos lençóis da madrugada.
Onde não existe tempo, não existe idade,
Mas somente a brisa noturna
A acalentar toda alma soturna...
Será que importa o preço do barril?
A nova tendência da moda praia?
O novo artilheiro da vázea?
Será que tudo não passa de uma grande brincadeira?
Ardil de anjos arteiros
Que mesmo nas noites de luar
Gargalham, incontroláveis, até a alegria findar?
E quem cai na armadilha de acreditar
Que somos apenas cidadãos de tal nação,
Trabalhadores orgulhosos de tal corporação,
Fiéis de alguma ou qualquer religião...
Espera sempre pelo céu que há no porvir,
Mas nunca, nunca se prepara,
Para qualquer frustração que há de vir...
Será que existe o telhado?
Será que existe essa conversa?
Será que existem gatos a pular?
Ou, antes de tudo isso,
Existem amigos, e amizades,
Existem seres conscientes de si,
E consciências etéreas, esvoaçantes...
Indetectáveis senão pelo amor, e pela dor,
De observar ao mais belo luar
Sem ter minha amiga para conversar?
raph'08

aos leitores: já já vai virar rotina... chega o dia 31 de julho e eu acabo lembrando de uma parte importante da minha formação como "sujeito-homem"... o que eu tinha pra escrever sobre a moça do retrato acima já está escrito... então abri espaço para um convidado muito especial... Raph Arrais foi um grande amigo dela, além de ter sensibilidade o bastante para escrever um poema num formato que seria difícil para mim...
Nesse telhado, de frente para o luar,
E os espaços infinitos entre as estrelas,
E os espaços finitos entre todos nós...
Já se perguntou, alguma vez,
O que será que estamos a observar?
Se dias e noites de transeuntes da cidade,
Ou noites e dias de gatos a pular, telha a telha,
Nos lençóis da madrugada.
Onde não existe tempo, não existe idade,
Mas somente a brisa noturna
A acalentar toda alma soturna...
Será que importa o preço do barril?
A nova tendência da moda praia?
O novo artilheiro da vázea?
Será que tudo não passa de uma grande brincadeira?
Ardil de anjos arteiros
Que mesmo nas noites de luar
Gargalham, incontroláveis, até a alegria findar?
E quem cai na armadilha de acreditar
Que somos apenas cidadãos de tal nação,
Trabalhadores orgulhosos de tal corporação,
Fiéis de alguma ou qualquer religião...
Espera sempre pelo céu que há no porvir,
Mas nunca, nunca se prepara,
Para qualquer frustração que há de vir...
Será que existe o telhado?
Será que existe essa conversa?
Será que existem gatos a pular?
Ou, antes de tudo isso,
Existem amigos, e amizades,
Existem seres conscientes de si,
E consciências etéreas, esvoaçantes...
Indetectáveis senão pelo amor, e pela dor,
De observar ao mais belo luar
Sem ter minha amiga para conversar?
raph'08
aos leitores: já já vai virar rotina... chega o dia 31 de julho e eu acabo lembrando de uma parte importante da minha formação como "sujeito-homem"... o que eu tinha pra escrever sobre a moça do retrato acima já está escrito... então abri espaço para um convidado muito especial... Raph Arrais foi um grande amigo dela, além de ter sensibilidade o bastante para escrever um poema num formato que seria difícil para mim...
sábado, 7 de junho de 2008
Eterno retorno
”Luto preto é vaidade
Neste funeral de amor
O meu luto é a saudade
E saudade não tem cor”
(Noel Rosa in “Silêncio de um minuto”)
Contei as horas e repassei cada momento em sua companhia
Lamentando a ira juvenil logo de partida
Maravilhado com a trama urdida a fado
De novo persisti monolítico
Esvaziando as rotas de fuga
Acompanho as velhas pegadas
Corríamos loucos ribanceira abaixo
A perfeita sincronia
A negação do indivíduo
Desesperadamente
Como ao final da maratona de dança
Olhei o suor no chão
Contando a história gota a gota
o que foi construído
o que já se perdeu
o que ainda vive em mim
Não
Não compreenderiam a intensidade do vínculo
Muito além das horas no dia
Aspirando à cumplicidade plena
Se fosse preciso reduzir
Tanto tempo a um único derradeiro instante
Passaria feliz a eternidade
A descartar bagagens ao umbral da porta
Para içá-la bem alto
Rodando e rodando
Em pânico de beijos e abraços e
Aplacar o turbilhão da saudade
(04-dez-2006 17h40min / um poeminha perdido entre bytes)
aos leitores: uma reciclagem poética... acho que foi uma das duas melhores poesias que poderia dedicar à 'donzela poética'... lembrança do regresso de uma viagem longa.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Reminiscências de 2002 -- Prelúdio (?)
De dia e de noite vozes esparsas indagam errantes:
−Que vês na poesia?
Arte simplória de palavras cinésias,
Embuste retinto ludibriando leitores,
Revoltas num autorama de brinquedo oxidado,
Proposta de outra vida, entrelinhas.
Por que se alimentas da poesia?
Minha sina remonta a tempos longínquos,
Emana a presença da busca por caminho;
Juventude imaculada pelo ódio, amor e virtude,
Fruto de desavenças apenas vistas,
Um paradoxo inexistente a me iludir…
−Poeta malandro! que enrola e se esquiva,
Responde! Responde! Pra quê inventar poesia?
Vidas, pessoas, fantasias são como cartas em um baralho;
Normalmente se confundem, às vezes se destacam.
−Agora foges dissimulado, petulante…
Que mal há nas interrogações?
Que dor é essa que em suas elipses se expõe?
O estudo das coisas e ponto
Não traz o conforto, apenas benfeitoria.
A conivência de amores em chama
Desfaz o remoto e apenas definha.
Um salário, dois carros, renome e um Porsche
Tudo que é ou não é Nada… a nada expia.
De repente só durmo acordado
E o meu peito em prelúdio constante vigia,
Percebe a presença das liras e confirma:
− “Como eu gosto e desgosto essa voraz poesia!”
[ 27-jul-2002 ]
−Que vês na poesia?
Arte simplória de palavras cinésias,
Embuste retinto ludibriando leitores,
Revoltas num autorama de brinquedo oxidado,
Proposta de outra vida, entrelinhas.
Por que se alimentas da poesia?
Minha sina remonta a tempos longínquos,
Emana a presença da busca por caminho;
Juventude imaculada pelo ódio, amor e virtude,
Fruto de desavenças apenas vistas,
Um paradoxo inexistente a me iludir…
−Poeta malandro! que enrola e se esquiva,
Responde! Responde! Pra quê inventar poesia?
Vidas, pessoas, fantasias são como cartas em um baralho;
Normalmente se confundem, às vezes se destacam.
−Agora foges dissimulado, petulante…
Que mal há nas interrogações?
Que dor é essa que em suas elipses se expõe?
O estudo das coisas e ponto
Não traz o conforto, apenas benfeitoria.
A conivência de amores em chama
Desfaz o remoto e apenas definha.
Um salário, dois carros, renome e um Porsche
Tudo que é ou não é Nada… a nada expia.
De repente só durmo acordado
E o meu peito em prelúdio constante vigia,
Percebe a presença das liras e confirma:
− “Como eu gosto e desgosto essa voraz poesia!”
[ 27-jul-2002 ]
sábado, 1 de dezembro de 2007
Reminiscências de 2006

querubim. [do hebr. kerubin, pl. de kerub, atr. do lat. cherubin.] S.f. 3. Fig. Criança muito linda
"Mergulhei na minha vida quando te conheci
Um dia de inverno no meio de qualquer outro."
(Curioso como era sempre assim:
Voltando chato da escola
Indeciso entre ligar a TV ou esperar um milagre.)
"Estávamos..."
(Não, na verdade nunca "estávamos" nada antes!
Podia ser difícil acreditar nessa tristeza
Meio angst indizível e tão juvenil.
Como se fosse uma ilha ou autista
E nunca houvera tratado semelhantes.
Ou talvez – com menos empáfia –, sentira um mundo em possibilidade,
Delirantes maravilhas incríveis.)
"Mas faltavam palavras que coubessem nas horas.
A linguagem engasgava. Palpitação mórbida."
(São tantas versões de fato
Tem aquela – ótima –
Onde simplesmente nos apresentávamos,
Passando uma noite em sociedade anônima
Bebendo e fumando cultura pop.)
(São várias folhas em branco
Escritos os nomes em linhas gerais
E algumas indicações de palco.)
(Confesso que o improviso estranho
Deu sabor meio engraçado
Àquela madrugada de agosto.)
“Melhor seria não fosse o triálogo desequilibrado
A vexar o concerto.”
(Ah, mas isso é puro recalque!
Pra ser sincero,até gostava do cara.
Sem ironia: mais uma vez agradeço,
Com ironia: seu arquétipo tem lugar garantido.)
(Não faço questão de mal nem me desculpo.
Somos (eu, você e o acaso) co-autores
E responsáveis pelos feitos.)
[8-nov-2006 às 16h17min]
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Nos resta ainda a poeta (há um ano distante...)

E temos ainda Florbela, assim como restam teus poemas. Meras palavras belíssimas, tão companheiras quanto qualquer folha impressa de versos em Arial....
Oposições
Se não houvesse noite
E o dia se tornasse interminável,
Pintaria meu quarto e cerraria portas
Até que a escuridão me envolvesse
Se não houvesse dia
E a noite sitiasse o astro-rei,
Trovaria meu verso messalino e cíclico
Até que a claridade me ouvisse.
Se não houvesse música
E o silêncio estagnasse o ar,
Nutriria meu rosto e entoaria cantos
Até que decibéis me inspirassem.
Se não houvesse silêncio
E a música aviltasse o claustro,
Trancaria meu peito e aboliria sons
Até que a surdez me dominasse.
(F. Lopes, maio de 2003)
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Miragem nublada (ou "Inútil paisagem")
Pausa para um momento de céu
É fácil se perder em palavras
Distraído por benditas tolices
Um contorno dourado de nuvens
No fim do dia somente o braço direito do Cristo
VERÃOZÃO 2007: doce período de contradizer
A musa lasciva pregando censura
A novidade do estudo frenético e pinga da roça
Os gatinhos que não tem mais voz
Essa saudade esquisita que abate
Vi um arco-íris sozinho há pouco
Nem precisei sair na tempestade p/ fumar
Olho a chuva e não acho o bem-te-vi gorducho
Perdido e plangendo em desamparo
[início 10-jan-2007 19h14min / fim 10-jan-2007 19h59min]
É fácil se perder em palavras
Distraído por benditas tolices
Um contorno dourado de nuvens
No fim do dia somente o braço direito do Cristo
VERÃOZÃO 2007: doce período de contradizer
A musa lasciva pregando censura
A novidade do estudo frenético e pinga da roça
Os gatinhos que não tem mais voz
Essa saudade esquisita que abate
Vi um arco-íris sozinho há pouco
Nem precisei sair na tempestade p/ fumar
Olho a chuva e não acho o bem-te-vi gorducho
Perdido e plangendo em desamparo
[início 10-jan-2007 19h14min / fim 10-jan-2007 19h59min]
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
sábado, 30 de dezembro de 2006
Urbana Legio Omnia Vincit
Estamos seguindo rumo ao final deste fatídico 2006, então por motivos retrospectivos segue a letra de Vento no Litoral e um trechinho de O Descobrimento do Brasil:
Bueno... a música inteira me (re-)arrebatou há pouco. Foi como se tivesse vendo todo esforço para seguir adiante. Mesmo com a perda, mesmo com a dor e tanta tristeza. Caminhemos, pois não...
E a vida foi seguindo com a lembrança vívida e um questionamento muito peculiar que pode ser evidenciado por esse pequeno trecho da letra de O Descobrimento do Brasil:
Pois bem, estranho encontrar um tipo de diálogo numa letra, mas as perguntas vão se alternando e podem perfeitamente se encaixar numa impossível conversa entre amantes distantes.
As linhas não são muitas, mas realmente dóem, por favor escutem as músicas que fará mais sentido!
Adeus ano velho.... Feliz Ano Novo!
"De tarde quero descansar, chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora
Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo
Quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua e se entregar é uma bobagem
Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?
- Bem, olha só o que eu achei: cavalos-marinhos.
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora"
Bueno... a música inteira me (re-)arrebatou há pouco. Foi como se tivesse vendo todo esforço para seguir adiante. Mesmo com a perda, mesmo com a dor e tanta tristeza. Caminhemos, pois não...
E a vida foi seguindo com a lembrança vívida e um questionamento muito peculiar que pode ser evidenciado por esse pequeno trecho da letra de O Descobrimento do Brasil:
"Quem modelou teu rosto ?
Quem viu a tua alma entrando ?
Quem viu a tua alma entrar ?
Quem são teus inimigos ?
Quem é de tua cria ?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia Esperança.
Será que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração ?
Quem está agora ao teu lado ?
Quem para sempre está ?
Quem para sempre estará ?"
Pois bem, estranho encontrar um tipo de diálogo numa letra, mas as perguntas vão se alternando e podem perfeitamente se encaixar numa impossível conversa entre amantes distantes.
As linhas não são muitas, mas realmente dóem, por favor escutem as músicas que fará mais sentido!
Adeus ano velho.... Feliz Ano Novo!
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
"You're my speaking squad English. We're proud to have, to fight with us at our side."
O que falar de Terra e Liberdade?
Googleio o título original e muito pouco acho sobre esse clássico de 1995. Land and Freedom, Tierra y Libertad... Tanto faz!
O filme fora caprichosamente lançado ao final da era pré-Internet. A tal rede que se se propõe universal parece ter deixado algumas lacunas a preencher.
(a concluir)
"¡La comida es fucking... muy bueno!"
Googleio o título original e muito pouco acho sobre esse clássico de 1995. Land and Freedom, Tierra y Libertad... Tanto faz!
O filme fora caprichosamente lançado ao final da era pré-Internet. A tal rede que se se propõe universal parece ter deixado algumas lacunas a preencher.
(a concluir)
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