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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Dois poemas curtos

== flickr (R) ==

As imagens passam de maneira breve
E deixam seus vestígios subliminares

Em pouco tempo milhares de lembranças
Formam duas torrentes opostas

De um lado a memória e meus sentimentos
Do outro os implacáveis detalhes eternos

Paradoxo e conflito em lacunas inesperadas
Encurralado e rendido no desafio de olhar

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== PROBLEMA ==

A vida é um fenômeno solitário em sua essência.
Por que participar da miséria alheia?
Limitando as múltiplas escolhas a duas apenas,
Defina seus espaços de coexistência e contraponto.

Resposta:_________________________________
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

sublimação do amor (em etapas)

queria te ver morrer feito minha alma gêmea desgarrada,
com todo suplício mútuo, em eterna companhia,
um acalanto a dois, intimista.
...ou talvez um pouco mais...

queria te ver morrer feito pária em família,
para fazer entes queridos sentirem a perda.
ver os lamentos esvaindo dos olhos salgados
e o arrependimento dando lugar ao perdão.
....ou talvez algo além...

queria te ver morrer como farol de seita amistosa,
recebendo o carinho profundo daquelas pessoas
que se mantiveram a uma distância segura,
vítimas de conversas desinteressadas porém fatais.
...ou talvez mais abrangente...

queria te ver falecer vestida de mártir na igreja,
um segundo antes do exército carpideiro ficar a postos,
vítima do lado mais cruel e súbito da natureza.
deixar seu fim antitético em contraponto
a uma vida como tese sóbria e sensata
da existência de um deus criativo e amoroso
ou talvez universal...

queria te ver eterna, levitando alheia a tudo,
diáfana e translúcida, em ritmo de exceção.
vociferando estrofes
(como línguas de fogo manso)
entre acalantos de brandura
(a todas as espécies necessitadas).
fulminando infiéis com um olhar de candor sem cerimônia,
aberta para todos, percebida por quase ninguém --
minha mais querida tragédia humana sem dono...

12.dez.2008 - 03h22min

[esse poema poderia ser enquadrado numa fase de "suturas" afetivas. esporadicamente sinto a necessidade de processar as emoções e sofrimentos do passado de uma maneira que seja saudável. de uma maneira mais orgânica, é como se eu rodasse o "defrag" nessas memórias partidas para deixar a cabeça funcionando melhor. o poema aqui tem um pouco de angústia, um tanto de mágoa, mas não é difícil entender a trajetória evolutiva rumo à sublimação]

sábado, 30 de agosto de 2008

"Que seja infinito enquanto dure..."

Hei de me perder mais uma vez entre amores e desvarios,
Como antes me entreguei por completo à submissão insana

Novamente me vejo absorto em pensamentos e solidão,
Embora tente afirmar o meu progresso particular.

A verdade é que não controlo a intensidade após o trauma
E quero muito muito viver novas histórias e emoções.

A entrega por completo parece inédita,
Mas a vivência de outrora me dogmatiza.

Pareço ranzinza, ora ansioso,
Desesperado pela entrega tua.

Antecipo à vítima um compromisso mais puro
Que passa por rimas, carinho e sedução.

Que sentido há em buscar o autodeleite?
Quantos absurdos há na minha opinião?

Não, não quero uma cópia,
Procuro novidades benfazejas
E a inteira união para sempre
Que agüentar.


aos leitores: esse é um dos poemas mais importante da minha breve obra... pessoalmente acho que sintetizei um monte de experiências e frustrações numa declaração de amor com um quê de indiferença, mas a verdade é que tudo que a gente faz está sujeito à avaliação de vocês (leitores). então se a leitura for diferente do que coloquei no início desta ruminação, não há nada que possa fazer...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Escolha sob Incerteza

I

Engraçado como as pessoas se esbarram.
Uma hora a gente é senhor de si com
Bastante autoridade
Para logo em seguida descobrir
Quanto que já está revelado.

Transgredi os limites da razão,
Vejo o que fôra oculto,
Com puro interesse
E fascinação

Façamos odes à realidade!
E que se viva a surpresa
Em contradição:

"Como é possível tantas miradas
Sem sequer desconfiar
Que estiveste em Trindade!?"

II

Olha só que peculiar coincidência!
Estava pensando em datas a esmo
E em como uma dessas pode calhar de ser
Bem mais próxima de outra qualquer
(Desencontrada...)

A primeira quarta de julho foi dia dois,
E na quinta de manhã pude te ver,
Já pela noite estava no pior pesadelo,
Para logo na segunda te reencontrar

E tudo seguir, como no instante
Em que pude ver algumas fotos
E reparar nas legendas:
Mananciais de informação preciosa
Acompanhada de um delicioso bom humor.

Desvendar, descobrir, saber...
Quem diria...

Trindade...

(Até terça!)

à leitora (se não for essa pessoa específica isso aqui não fará muito sentido): um poeminha que era pra ser inocente... apenas uma constatação de semelhanças que antes eram desconhecidas... espero não lhe ter feito mal... caso contrário, deixo aqui meus mais sinceros pedidos de desculpas...

domingo, 27 de julho de 2008

Innocent bystander

Aspirando a fumaça equivocada,
Fechado em copas, de soslaio
Observo trajetórias alheias
Agrido pessas a esmo
Me viro com melancolia

Seguimos perdidos
Á toa
Contando salários
e years.

"É o acumulado no ano....
Federal withholding
Menos uns dez por cento,
Deve ser a retenção na fonte."

(silêncio)

aos leitores: esse é daqueles poemas que meus colegas odiavam nos tempos de colégio... é bastante hermético e cheio das complicações para dificultar a compreensão... um bom começo que é estragado pelo final.

domingo, 13 de julho de 2008

Sobre os Caídos

O orgulho um tanto ferido quanto manchado.
A análise minuciosa do sabor de asfalto.

Uma confusão de dor, vergonha,
Parálise, contato e desonra.

Verdades fraturadas e reconstruídas,
Parcialmente atadas, em ruína.

Filosofando em compulsório repouso,
Revestido de embuste e rima,
Armando um jogo mental furioso
Forjado de bipolaridade cretina.

(incompleto?)


aos leitores: faz parte da fase 'estabaco' deste q vos escreve. a tentativa de rimas vocálicas não ficou tão ruim assim...

Manual de Instrução para Quedas

O primeiro passo
Pode ser o bastante.
As evidências acumuladas,
Entretanto,
Registram sucessivos deslocamentos
Até a definição.

Uma pedra no caminho,
A falta de atrito
No terreno acidentado,
Qualquer canelada rasteira
Com seu dolo eventual,
Ou uma casca de banana
Anedótica.

Lugares comuns são estopim
Que suscita a partida sem volta.
Imediatamente registra-se a
Suspensão do descrédito,
Ciência do encontro inesperado
Por vir.

Tombos e estabacos
Habitam um mundo de resultados
Pré-determinados e destino.
A depender das circunstâncias,
Resistir ou contestar será
Em vão.

Após a surpresa constatada,
É preciso aceitar submisso, pois
Existe apenas uma breve janela
para minorar os danos futuros.
Os milissegundos em questão
Permitem somente espasmos
Reacionários.

Durante a próxima etapa
O único papel cabível é o
De espectador privilegiado,
Testemunha ocular do súbito
Rebaixamento de bípede a ser
Rastejante.

Curioso perceber a cronologia
Das sensações invertendo a ordem
E o fato da dor ganhar destaque bem depois de
Um beijo no asfalto.

Uma queda mais ambiciosa
Traz sofrimento crescente e adota
Sutilezas, como os pontos de
Impacto coadjuvantes, onde (aí sim) revela
Pleno potencial.

Pode-se questionar
Equívocos de instante
Ou pensar nas seqüelas a prazo.
Amarras que atam outrora e adiante:
O verdadeiro suplício.

aos leitores: fase 'estabaco'... umas imagens interessantes, uma perspectiva temporal... enfim, são as coisas que me interessam quando paro na frente do teclado pra escrever... até que não ficou tão ruim...

sábado, 5 de julho de 2008

Limiar

Vejo logo à frente
As raias da loucura
Onde euforia e caos dançam em desespero.
Me convidam a participar
Com meu passo ébrio
Das sessões de descontrole e perda.

Não há livre arbítrio
Para decidir racionalmente,
Pois sou um graveto no olho do furacão.
Cambaleio e disfarço,
Sou tragado pela mata escura,
Me tornando a alma da festa macabra.

Insânia e pesadelo
Substanciados na exótica realidade
Que nostalgicamente evoca torturas em anos de chumbo.
Até onde vai a vontade
De resistir sem ser quebrado?
Quanta violência até ouvir gritos de socorro?

E se pestanejar resoluto
Mesmo depois de perder os apoios?
Há que se pensar sempre no dia seguinte,
No próximo e no porvir,
Quando só restarem cicatrizes
E um semblante de couraça inabalável.

De fato, não há
Critérios definitivos,
Nem um limite para o sofrimento.

O que restará quando
Cada osso jazer em pedaços
E a loucura for o único alívio à solidão?
Mais uma dose, por favor.
Aquela última era bem fraquinha...
A noite vai ser longa e vou ficar de pé até o final.

[ 05-jul-2008 | 09h43min ]

obs: dois restar a corrigir...


aos leitores: esse aqui saiu do forno quando o coração ainda palpitava pela agressão e furto que sofri... então é natural que haja feridas abertas que não são particularmente fáceis de cicatrizar. mas com terapia e força de espírito a gente sempre consegue seguir adiante... com lucidez e vontade de chegar mais longe...

terça-feira, 1 de julho de 2008

“Festa de rua”

Oh vento que faz cantiga nas folhas
No alto dos coqueirais
Oh vento que ondula as águas

Eu nunca tive saudade igual
(Dorival Caymmi in “Saudade de Itapoã”)

Imprisoned guessing games
A wandering childbearer

A rainy downpour washes away
Puddles into streams

Mais uma brej

Ambiance
Melodies
Odoricrous resins
Synesthesia

Awe
Marvelous conspiracy of the weather
In cohorts with Caymmi’s Bahia

A primordial groove
Denies the mere possibility of tears
Let alone despair

Murmurs of life
Can be read in assorted hues

The unabashing silence
Forecasts a breeze

All is quiet
No need to hurry

Cem barquinhos brancos
Nas ondas do mar
Uma galeota a Jesus levar
Meu Senhor dos Navegantes
Venha me valer
Venha me valer
Venha me valer
Venha me valer
A Conceição da Praia está embandeirada
De tudo quanto é canto muita gente vem
De toda parte vem um baticum de samba
Batuque, capoeira e também candomblé
(Dorival Caymmi in “Festa de rua”)

(21-dez-2006)

Relembrando o passado, na expectativa de que tudo dê certo até 21 de julho...

sábado, 28 de junho de 2008

acróstico I

A moça de quem falo
Não peca pela indiscrição,
Ainda que viva feito pulsar.

Linda como alguma coisa brilhante,
Uma jóia viva e cheia de frescor.
Inocente e sutilmente lasciva,
Suprema em seu jeito manso.
Acho impossível descrevê-la.

Talvez fosse possível
Outra estratégia que
Lidasse com detalhes
E refletisse a luz
Dos seus
Olhos.

Passo em branco e é
Inútil
Zangar-se
Ante seus comentários ferais.

Pois sua essência
É branda e
Só depois de anos
Se fez clara e presente.
Ó, como pude ser tolo!
Acho-te a espécie mais bela!

A noite nos faz cúmplices enquanto
Rumamos aleatoriamente em uníssono.
Ainda falta tanto afeto percebido...
Usei o teu nome como guia,
Julguei a perfeição como ti,
Ou será que fiz só um elogio?

aos leitores: "acrósticos" são uma tradição familiar consolidada a pelo menos três gerações. esse foi o primeiro que fiz, então para facilitar escolhei um nome fácil que tivesse algum histórico mínimo (pois assim evito absurdos como versos sem cadência que não fazem o menor sentido para a pessoa homenageada pelo mesmo, mas para se resguardar é sempre bom adotar uma perspectiva amorosa "vinicius-de-moraesiana"... se rolar rolou, se enrolar enrolar, se ignorar...deixa pra lá... no fundo tanto faz...

terça-feira, 17 de junho de 2008

tão simples

novamente há manchas
onde jazia o branco
do inverso destas linhas.

minha mente hesita e dança,
faz mistério e terapia.

desordeira vida urbana
em suplício e agonia!

sem saber qual é o plano,
à espera de uma rima?

quantificando o fôlego manso
do limite à utopia,
risco frases em quebranto --
rotas de fuga ao dia-a-dia:

perseverar ignorando
significados/etimologia

[16.jun.2008 14h22min]


aos leitores: uma fase bacana dos últimos tempos... uma homenagem a santa teresa e seus habitantes (mesmo os temporários)

domingo, 8 de junho de 2008

A number with Mister M

Oh joyful bliss of vengeance
that smythes your puny deeds!
Look how it springs and bursts
at your marveled feet!
Can it be a light for real
and unveil the clout of deceit?

As I await the final deliverance
from this ordeal, let peace
and fortitude prevail,
transcending foes into mincemeat.

And to savor such an exquisite banquet
before awe-struck eyes
hypnotized by debonair.

The boldest moves disguised by a sleigh of hand,
teleporting me into redemption like a trick.
It all seems so simple...

Let this be the only published guidelines
detailing the inner workings that allow you
to go from point A to B
without notice.

There we have it! Out is a man
(replacing the black sheep)
with a blank fearless stance,
cooking his bile and
bringing the most perfect gift.

How did he do that?!




aos leitores: isso aqui foi beem legal, uma vingança pacífica... uma tentativa de recuperar um pinguinho de dignidade perante pessoas que me acompanharam durante a infância... vou me reservar o direito de só falar isso neste espaço.

sábado, 7 de junho de 2008

Eterno retorno

”Luto preto é vaidade
Neste funeral de amor
O meu luto é a saudade
E saudade não tem cor”
(Noel Rosa in “Silêncio de um minuto”)


Contei as horas e repassei cada momento em sua companhia

Lamentando a ira juvenil logo de partida
Maravilhado com a trama urdida a fado
De novo persisti monolítico
Esvaziando as rotas de fuga

Acompanho as velhas pegadas
Corríamos loucos ribanceira abaixo

A perfeita sincronia
A negação do indivíduo

Desesperadamente
Como ao final da maratona de dança

Olhei o suor no chão
Contando a história gota a gota
o que foi construído
o que já se perdeu
o que ainda vive em mim

Não

Não compreenderiam a intensidade do vínculo
Muito além das horas no dia
Aspirando à cumplicidade plena

Se fosse preciso reduzir
Tanto tempo a um único derradeiro instante
Passaria feliz a eternidade
A descartar bagagens ao umbral da porta
Para içá-la bem alto
Rodando e rodando
Em pânico de beijos e abraços e

Aplacar o turbilhão da saudade


(04-dez-2006 17h40min / um poeminha perdido entre bytes)


aos leitores: uma reciclagem poética... acho que foi uma das duas melhores poesias que poderia dedicar à 'donzela poética'... lembrança do regresso de uma viagem longa.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

"Um drinque à distância"

tava lá no começo da rua... sentado em um banco, com uma cervejinha no outro e as muletas encostadas num terceiro, vazio,
e então começaram a aparecer umas frases...
(é difícil acontecer de repente, sabe?)
era algo mais ou menos assim...

um brinde à bebida ausente!
eu te saúdo mesmo à distância,
imaginando ébrias alegrias,
como se estivesse tão próxima
quanto a nossa comunicação...


(pronto, acabou...)



aos leitores: para uma amiguinha bacana que não pude conhecer em pessoa...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

another trance poem

never skip a beat
after hours
never skip a beat

trance until you follow
step away while you leave

never skip a beat

drive into the night
quite lost but unafraid

awake until tomorrow

chooning away
too deep


-cronopios-
-2008.05.16-



aos leitores: da época em que estava de 'castigo' em casa, escutando uma radiozinha de trance pela internet... tentei escrever algo no estilo, mas o resultado ficou pífio...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Instinto maternal que desafia a natureza (ou Yom Kippur)

O assunto de hoje é o relacionamento
entre duas espécies distintas,
arquétipo milenares.

Artista e sua obra
que realiza o grande sonho
renascentista:
Parla!

E eu digo agora:
É o seu dia.

Muito penso sobre essa data
e é tanto que sinto.

Melodias em voz de soprano
da menininha com seus filhotes.
Enleio e acalanto.

Quantas memórias doces poderia elencar...

Para ser breve passo à próxima,
pois é a mais importante.

A criança mudara anunciando um desafio:
-- Quero ser gente por mim mesmo e abandonar o abrigo.
Viver aventuras ignotas!

Logo naquele instante um coração hemorragia
E a ferida aberta nunca poderia doer tanto.
Caso não percebesse na hora,
em seguida a veria ser partilhada
com distinta solidariedade.

Now here I am, mother,
Trying to dissuade you,
Avoiding most of the shrapnel,
And I endure amid some cries,
Hardly faltering as I plod along
My via crucis.

But such is our love,
We had amended.
Much more sincere than an armistice
Are the peaceful terms settled.

Mediado pela moça de versos
Que me convenceu a voltar a amá-la,
Como nem mesmo minha própria mãe
Haveria de merecer.

The higher we jump, the harder we fall.
So I felt a conspiring sweep
Eliminate the steady ground below.
Skydiving into a ravine...

Defy all logic, and please
Transfer to me guilt
From the decade past.
I beg of you!
Denounce your offspring and
Make do with a knife slashing through
Your first-born.

There you have it now:
Blood splurting at our feet
Can't really tell whether it's
Yours, mine or his.

Parece que pode ser a gota d'água
E olhamos assustados
Para o ser hostil a nossa frente.

(De todos os mitos helênicos,
Medéia inspira o máximo temor.
Transgride o porto seguro materno
E vitima entre contos de ninar...)

Machuca o esforço de ser otimista.
Ignorando cargas recentes,
Aquiesço a tolos pedidos
E desobstruo as mesmas portas de sempre.

Dia das mães.
Dia do perdão.



aos leitores: esse é outro dos complicados... cheio de histórias... cheios de mágoas... buscando alguma reconciliação, pois a vida é curta demais para acumular rancores...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Reminiscências de 2002 -- Prelúdio (?)

De dia e de noite vozes esparsas indagam errantes:

−Que vês na poesia?
Arte simplória de palavras cinésias,
Embuste retinto ludibriando leitores,
Revoltas num autorama de brinquedo oxidado,
Proposta de outra vida, entrelinhas.
Por que se alimentas da poesia?

Minha sina remonta a tempos longínquos,
Emana a presença da busca por caminho;
Juventude imaculada pelo ódio, amor e virtude,
Fruto de desavenças apenas vistas,
Um paradoxo inexistente a me iludir…

−Poeta malandro! que enrola e se esquiva,
Responde! Responde! Pra quê inventar poesia?

Vidas, pessoas, fantasias são como cartas em um baralho;
Normalmente se confundem, às vezes se destacam.

−Agora foges dissimulado, petulante…
Que mal há nas interrogações?
Que dor é essa que em suas elipses se expõe?

O estudo das coisas e ponto
Não traz o conforto, apenas benfeitoria.
A conivência de amores em chama
Desfaz o remoto e apenas definha.
Um salário, dois carros, renome e um Porsche
Tudo que é ou não é Nada… a nada expia.

De repente só durmo acordado
E o meu peito em prelúdio constante vigia,
Percebe a presença das liras e confirma:


− “Como eu gosto e desgosto essa voraz poesia!”

[ 27-jul-2002 ]

domingo, 16 de dezembro de 2007

"Chega de saudade"

Outro dia após uma ensolação escaldante
Vivenciei a minha primeira miragem messiânica

Não surgiram línguas de fogo, nem o diabo a me tentar
Com seu embuste de areia

Porém como em milênios de outrora,
Passei por epifanias enquanto caminhava no
Deserto solitário.

Delirei, louvei...
Transcendi?

O saber técnico contemporâneo
Deve até discordar
E como todo ser totalitário
Imporá sua versão sem espaço para debate.

Passadas as horas do transe
(acordado pelo sol de madrugada)
Fico sem saber mais o que é real
(questiúncula desimportante, aliás)

Só torço para a ninfa de então
Suportar o elemental da água
E que nos reencontremos um dia
No reino da fantasia.

from <__________@gmail.com>
to _______@hotmail.com,

date Dec 14, 2007 9:08 AM
subject "Chega de saudade"
mailed-by gmail.com

domingo, 9 de dezembro de 2007

Teclando aleatoriamente

Me lambuzo com esse doce deleite,
Brincando com as palavras,
.Infâmia inconseqüente..
Apresentando aliterações que não
passam de uma desculpa esfarrapada
que justifique o uso da trema.

Me inebria esse quebra-cabeça de orações
subordinadas adversativas com seus múltiplos
caminhos possíveis.

A retórica que pode ser ajustada.
Ora é "tapa de pelica" com afeto
Ou então "esmaga o opressor, aniquila, fulmina"

Falo de palavras com o mesmo fascínio
do exímio espadachim por sua lâmina.
As mãos que anseiam ferir
através da ferramenta cortante.
Mostrando de forma cerimonial toda letalidade latente.

Por vezes sinto um fluxo torrencial de palavras
que exigem serem escritas a um ritmo frenético de
milhares de teclas por minuto,
feito uma submetralhadora de uso exclusivo militar,
que estraçalha a esmo...
Ao arrepio das leis.

Fico então em cárcere privado.
Me acompanham os fonemas e sintaxe
num processo que não parece
ter fim.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Reminiscências de 2006



querubim. [do hebr. kerubin, pl. de kerub, atr. do lat. cherubin.] S.f. 3. Fig. Criança muito linda

"Mergulhei na minha vida quando te conheci
Um dia de inverno no meio de qualquer outro."

(Curioso como era sempre assim:
Voltando chato da escola
Indeciso entre ligar a TV ou esperar um milagre.)

"Estávamos..."

(Não, na verdade nunca "estávamos" nada antes!
Podia ser difícil acreditar nessa tristeza
Meio angst indizível e tão juvenil.
Como se fosse uma ilha ou autista
E nunca houvera tratado semelhantes.
Ou talvez – com menos empáfia –, sentira um mundo em possibilidade,
Delirantes maravilhas incríveis.)

"Mas faltavam palavras que coubessem nas horas.
A linguagem engasgava. Palpitação mórbida."

(São tantas versões de fato
Tem aquela – ótima –
Onde simplesmente nos apresentávamos,
Passando uma noite em sociedade anônima
Bebendo e fumando cultura pop.)

(São várias folhas em branco
Escritos os nomes em linhas gerais
E algumas indicações de palco.)

(Confesso que o improviso estranho
Deu sabor meio engraçado
Àquela madrugada de agosto.)

“Melhor seria não fosse o triálogo desequilibrado
A vexar o concerto.”

(Ah, mas isso é puro recalque!
Pra ser sincero,até gostava do cara.
Sem ironia: mais uma vez agradeço,
Com ironia: seu arquétipo tem lugar garantido.)

(Não faço questão de mal nem me desculpo.
Somos (eu, você e o acaso) co-autores
E responsáveis pelos feitos.)

[8-nov-2006 às 16h17min]