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sábado, 18 de outubro de 2008

Inovações Literárias I - Começando do começo

Confissões de um quase morto-vivo - uma não-ficção paradidática

Saudações! Primeiro gostaria de lhe agradecer pelo imenso privilégio que é ter a SUA atenção exclusiva nessa curiosa empreitada literária. Qualquer escritor há de confirmar como é difícil ser lido por outras pessoas, especialmente pelos analfabetos. Então podemos aproveitar o momento para nos comprazer-nos da oportunidade aproveitada para ter acesso a uma educação minimamente razoável e chegar hoje a um momento bastante peculiar em que podemos iniciar essa comunicação por palavras.

Cuidando ainda de alguns finalmentes, anuncio dois postulados básicos que orientam o modus operandi deste autor zumbi: (1) A verdade não tem dono, (2) É conversando que a gente se entende. Na verdade para ser conceitualmente mais preciso, seria interessante partir de (1) e chegar em (2) dando pequenos passos rigorosos e bem definidos, como numa demonstração matemática. Sim, de fato, há outras maneiras mais herméticas de chegar nas mesmas conclusões, mas confiem em mim, pois um sujeito vivo e morto ao mesmo tempo de repente pode ter razões sólidas para argumentar desta maneira em vez de outra. Mas o interessante é que ao considerarmos (1) e (2) torna-se interessante abrir o espaço para interpretações divergentes da realidade e poucas coisas podem ser tão agradáveis quanto o debate. Sendo assim, disponibilizo o endereço do meu sítio virtual . Nos comentários aos posts teremos um fórum adequado para dialogar (se bem que sou suspeito para falar, pois quem manda lá sou eu! hehe)

Feitos os agradecimentos e o marketing pessoal é chegado o momento de dizer exatamente quem sou, o que fiz e tentar satisfazer a clientela da melhor maneira possível...

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Tacada #1 - Identidade

Me chamo Flávio. Pois bem, na verdade como a maioria das pessoas eu tenho um documento de identificação com um monte de outras informações, mas o que importa mesmo é que a maioria das pessoas me conhece como "flávio", puro e simples.

Sou o protagonista e autor destas confissões e sendo assim será necessário explicar meu status de morto-vivo. Notem que essa definição no início pode não fazer lá muito sentido, por isso é bom ter paciência e acreditar no narrador ou então desistir e buscar algo melhor para fazer (pelo que vejo nas livrarias cariocas do início do século XXI, a auto-ajuda continua dominando os mais vendidos). Aqueles com maior quilometragem literária devem naturalmente ter um pouco de ceticismo e podem até fazer a comparação com os meus antepassados, a dupla Brás-Machado. Antes de mais nada, é fácil chegar a um consenso e afirmar categoricamente que a analogia é banal, pois requer uma meia dúzia de bits e um processador vagabundo. Ou seja, um calouro de programação deve ser capaz de, em poucas horas, escrever um código que vasculhe um site como o da amazon.com para separar todos os cem títulos que apresentam a mesma temática central (ouvi dizer outro dia que o Brás fora inspirado num certo Tristram Shandy e achei a acusação de plágio atribuída ao bruxo do Cosme Velho absurdamente pueril). Mas deixemos os apartes de lado.

Há uma vasta gama de trabalhos que têm como foco vida e morte. E isso tem uma explicação bastante simples. Nós vivemos, um dia morreremos e temos quase que uma compulsão por partilhar histórias. E só. Se no ano do centenário da morte de Machado de Assis aproveitamos essa oportunidade para relê-lo e descobrimos que anos antes um certo Laurence Sterne inventara um narrador galhofeiro e descompromissado (pois morto se encontra) não vejo motivo para pânico. O lugarzinho dele entre os grandes seres humanos brasileiros está garantido e eu aposto que meus bisnetos acompanharão as festividades do segundo centenário de sua morte em 2108, confirmando mais uma vez o que as suspeitas do próprio escritor das Memórias Póstumas: "É só escrever uns livrinhos aí, assinar tudo, depois fundar uma ABL (que nem a de Paris) e pronto! mais dia menos dia viro imortal... Bela idéia, Machado... Bela idéia, meu caro..."

Como diz o subtítulo, esta obra é uma "não-ficção", portanto não pretendo perder tempo fazendo ilações a respeito dos pensamentos íntimos de autores mestiços e subdesenvolvidos de 1800 e tal. Prefiro focar na minha verdade particular enquanto sujeito mestiço e subdesenvolvido do novo milênio... Então voltemos à discussão inicial do que vem a ser um "morto-vivo".

Definição 1
vivo - característica peculiar àquilo que possui capacidades cognitivas e que segue uma trajetória com um ponto inicial (nascimento) e um terminal (morte).

Definição 2
morto - o não-vivo.

Parece meio óbvio, mas é bom que seja assim, pois com definições concisas e claras a gente ainda pode ir muito longe. A maioria dos leitores que não teve acesso a uma formação menos humana e mais exata provavelmente não faz a menor idéia do que é uma derivada, então prefiro dar uma intuição básica e depois deixo algumas referêlncias básicas ao final deste raciocínio (o vídeo do YouTube é ótimo...). A derivada é uma informação resumida de uma função matemática. Considere então um automóvel que segue uma trajetória ao longo do tempo que podemos descrever por meio de uma função c(t), com t variando de 0 a T (lê-se "de zero a tê maiúsculo" e não "tesão", isso é matemática, seus pervertidos!). O que importa é que a tal da derivada é um jeito que eu tenho de ter alguma idéia da cara dessa tal função, quando ela for desconhecida. Considere um problema onde é dado o ponto de partida, o ponto de chegada e uma velocidade constante. A velocidade é a derivada de c(t) no contexto automobilístico acima. O grande barato da matemática não é simplesmente fazer um monte de contas, mas tentar representar fenômenos os mais variados de um modo elegante, simples e conciso (é um ramo do conhecimento bastante minimalista).

Se afirmo que sou um morto-vivo é porque acredito que ao longo da minha trajetória pessoal de vida, passei por diversos episódios onde a morte foi a protagonista. E a minha estratégia de sobrevivência basicamente foi "matar a morte e dissecar seu cadáver com muita atenção e respeito". Um título alternativo seria "Lições de anatomia das muitas mortes do flávio", mas convenhamos, seria ainda mais umbigocêntrico do que já é...

Tacada #2 - Bibliografia
Tacada #3 - Machadadas no fio da navalha
Tacada #4 - Copidescando a Loucura Sativa da Donzela Poética
Tacada #5 - São José dos Manos
Tacada #6 - Uma fundação para honrar suicidas
Tacada #7 - Mistérios de Minas
Tacada #8 - Política (de todos e de quase ninguém)
Tacada #9 - Economíadas e o desvario de ciências sociais
Tacada #10 - Sobre guerras e crises (ou O Espólio de Aquiles)
Tacada #11 - O desfecho da ressurreição para a imortalidade


(obs: essa estrutura seria a linha mestra da obra, sujeita a mudanças e adições com o passar do tempo)

domingo, 16 de setembro de 2007

Felicidade - um registro

Decidi fazer um post-post para este blog que respira por aparelhos... Trata-se de uma simples descrição dos presentes sentimentos. Coisa boba, quase como uma folha avulsa de um diário.


Rio de Janeiro, 16-17 de setembro de 2007

Nos últimos dias tenho me sentido muito bem. Se evito a palavra "felicidade" é tão somente para me distanciar de quem a usa de maneira vazia ou insípida. O escritor Leão Tolstói abre sua obra Ana Karênina com a seguinte frase:
"Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira."

Isso me leva a questionar o sentido de felicidade. Podemos ser felizes por muito tempo? Quais são os precisos instantes em que a felicidade se torna evidente, talvez até passível de constatação analítica? Será que fazer tantas perguntas sobre esse assunto diminui minha chance de ficar 'de bem com a vida'??

Mas eu sou só um economista chato que fica querendo caçar alguma desculpa para aplicar o próprio ferramental teórico... O Senhor Leão está mais do que certo no que escreve. Principalmente por nos apresentar a farsa que é a felicidade duradoura.

Por supuesto não deixa de soar estranho uma família "feliz". Se a mesma existisse, não seria tolerada. Mas será esse um defeito humano? Poderia concordar com os Wachowski, mas acho que tal peculiaridade está longe de ser falha.

Larry e Andy Wachowski (para nossos leitores menos ligados em popnerdices) são os diretores do filme The Matrix, marco cultural nos idos de 1999. Naquele filme a humanidade virou pilha alcalina para robô mas a raça mecânica ainda sente a necessidade de nos contar uma mentira paliativa(venhamos e convenhamos, é uma baita prova de piedade dos nossos binários captores querer inventar uma prisão que ainda serve de representação da alegoria da caverna, mas sigamos...). A parte do filme que me interessa é aquela na qual o Agente Smith afirma a Morpheus que a Matrix atual é a terceira ou vigésima versão e que foi feito um aperfeiçoamento a partir da primeira tentativa fracassada de criar um simulacro para nós, pobres pilhas médias. O raciocínio smithiano é encerrado pela constatação do erro inicial: nenhum humano acreditaria em vidas de mentirinha em que fossem felizes.

Ao ler a última frase percebo um sorriso de esguelha que deve ser creditado ao meu notável bom-humor momentâneo. Ora pois pois! Os robôs realmente tentaram nos trazer o bem, mas nós homo sapiens sapiens malcriados só queremos saber do gosto amargo do fruto proibido. Não deixa de ser divertido tentar imaginar essa "Matrix Prime"... Será que ninguém se machuca, nem tem dor de barriga, nem fica de saco cheio de seus semelhantes? Seríamos todos nós acostumados à letargia monotônica? Robôs conseguem, afinal, definir felicidade eterna de uma maneira satisfatória?

Pois bem, mesmo que tenha perdido um pouco o fio da meada com essa digressão, fico satisfeito com seu conteúdo. O ponto principal é que isso de viver sem ser feliz e ainda ter uma boa dose de ceticismo para com as Polianas do mundo é algo perfeitamente natural. E me parece ser bastante salutar.

Sempre surgem problemas, precisamos cumprir diversas formalidades inúteis (p.ex. respirar) e nunca deixamos de habitar esse nosso invólucro denominado corpo. Alguém que se define "feliz", diz respeito a toda sua existência ou só a uma pequena (e efêmera) fresta intelectual? Mesmo o mais empedernido otimista pode ter suas crenças abaladas por uma seqüência de maus-bocados. Ou então uma doença que leve ao delírio (causada por um micróbio ranzinza) conseguiria cortar o meu joie-de-vivre assim, do nada, sem nem pedir licença.

E é por isso que acho tão difícil afirmar (convicto) que estou feliz. Essa minha felicidade está muito longe daquela que Tolstói menospreza e os Wachowski dizem ser impraticável. Ela é prima-irmã do DEVIR, de HERÁCLITO, da instabilidade como única certeza de fato. Estar feliz é algo puramente contingencial e no fundo é só um grande resumo de um amontoado de sensações físicas e psíquicas que podem me deixar especialmente tolerante numa manhã nublada como esta. A mudarem as condições de temperatura e pressão sempre existe algum risco do bom humor dar a meia volta.

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Algumas ressalvas muito razoáveis

Decerto que existem pré-requisitos para poder sentir essa felicidade que vem e vai como onda. Entendo ser difícil cantarolar alegremente enquanto se vive a agonia da falta de recursos. Existe até um clichê do jornalismo televisivo que se relaciona a isso. No JN (ou no genérico da Record) algumas matérias mais positivas se encerram com o sorriso franco de alguém que vive na pobreza. Confesso que essa manifestação me incomoda sobremaneira. Fica uma sensação ruim, pois parece um gesto desesperado, uma resposta inconsciente a todo aparato que veio registrar sua vida humilde. Demagogia e televisão formam uma mistura particularmente sórdida.

Desejo aos gatos pingados que chegarem até o final deste texto que possam ter também os seus momentos de gratificação. E, acima de tudo, que façam por merecer a doce recompensa que nos traz a felicidade.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

comentário sobre a Previdência

quanto à gestão dos recursos públicos é sempre bom ter em mente a ESCOLHA que é feita...

Continuo achando que dada a composição etária da população brasileira é um suicídio gastar tanto com aposentadorias... Entre crianças e velhinhos fico com os primeiros, pois além de serem mais numerosos vão garantir o nosso futuro (ou seja, eu que tenho 22 anos quero ter um país com renda suficientemente elevada para que seja possível ter serviços públicos (ou privados) de qualidade que garantam uma vida madura boa...

Mas paciência... A questão é que realmente é meio esdrúxulo colocar o Ministro da Previdência como responsável pela "rede de cobertura social". Essa atribuição deveria caber ao Patrus Ananias. Após terem sido aprovados os benefícios, ninguém consegue realmente discuti-los e decidir o que é melhor para se fazer com os recursos que nos são arrecados através de tantos impostos.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Nosso ofício

Mais um ciclo se encerrou
Qual o caminho a seguir?

Foram quatro anos de intenso estudo, muitas dúvidas... O que foi construído afinal?

Engraçado que antes de vir p/ Fundação sequer suspeitava da existência de uma teoria que argumenta ser completamente inútil estudar em instituições de renome. O ensino superior por essa ótica não 'agrega' capital humano, apenas sinaliza para os futuros empregadores que você é um indivíduo capaz de se concentrar e fazer planilhas no Excel. Realmente não parece muito alvissareiro tanto cinismo para nossa turma de recém-formandos...

Mas pensando bem, até que não foi tão ruim assim. Se colocarmos essa teoria sob escrutínio veremos que a própria descrição da mesma no parágrafo anterior seria impossível se não tivesse ocorrido a absorção do conhecimento exógeno.

Contradições, provas, lógica... Que mundo estranho é esse em que vivemos ao longo dos últimos anos? Será que conquistamos apenas um comprovante de competência inerente a si? Poderíamos ter realmente aprendido algo da tal economia?

Esse é um dos aspectos mais fascinantes da teoria que nos foi transmitida. Incerteza, informação, crenças, razão, incentivos, expectativas. O futuro é um tiro no escuro e ninguém (até hoje) comprovou possuir a capacidade de prevê-lo de forma clara e consistente. Portanto temos que alimentar esperanças, construir cenários, limitar o risco de perdas e construir.